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12 de fevereiro de 2016

Principais músculos e fases do ciclo de pedaladas

Essa é uma questão muito importante e de certa forma ate pouco discutida, exceto quando o assunto é: 2 coroas ou 1 coroa.

Gabriel Salgado, Coach e treinador esportivo na empresa OCE.

Aproveitando a deixa, vou passar minha opinião pessoal sobre o que acho. Sempre andei de 3 coroas, depois de duas e tinha ate uma certa resistência em passar para uma coroa. Fiz um Brasil Ride com 2, fiz o Desafio dos Rochas ano passado com 2, alias, ate o meio da temporada passada eu andava com mais coroas.

2 coroas nunca me deixou na mão, mas associando o fato de praticidade e simplicidade, e claro, acompanhando a tendência dos melhores atletas do mundo resolvi experimentar e mudar pra uma coroa. A primeira experiência foi horrível, pois, não mencionei acima, mas eu andava de 2 coroas ovais e logo de cara na mudança pra uma coroa coloquei uma 32 oval e sai pra treinar em um local de costume com muita subida. Eu terminei o treino querendo vender a bike, mas estava consciente, uma situação não tinha nada ha ver com a outra, 2 coroas é uma coisa, 1 coroa é outra e coroas ovais também são situações diferentes.

Antes de trocar, fiz milhares de cálculos no papel como imagino que muita gente faz, do tipo, qual seria a proporção de força de eu usar um K7 42 e uma coroa 32, comparando com o K7 36 e coroa 26 que usava antes, etc. na teoria era lindo porque chegava a números próximos e parecia que a situação era só fazer meia dúzia de cálculos e pronto, estava preparado para andar com uma coroa, mas na pratica é diferente, esqueçam os cálculos e vão direto pra pratica.

Andar com uma coroa, me fez ter menos peso na bike, menos peças pra estragar e fazer manutenção, menos situações que me deixariam fora da bike, ou resolvendo ou frustrado por ter acumulado problemas, como no caso do chain suck, já que com 2 coroas e chuva, a tendência de acumular barro ali no centro da bike é muito grande, e para os aficionados por bike bonita, porque não pensar que ela fica mais clean com uma coroa?

Em funcionalidade, juntei minha experiência de atleta e de treinador e conseguir entender que, achando a marcha certa, o rendimento é muito maior, vc consegue colocar um bom passo colocando a bike pra andar pra frente sem ficar trocando de marcha toda hora procurando uma mais “confortável”, aprendi também que por fazer menos troca de marcha a longo prazo, economiza energia, que para muitos pode parecer bobagem, mas para provas de longa duração como o Desafio dos Rochas, Brasil Ride etc., faz toda diferença.

Em pontos negativos vi que a vida útil de uma corrente de uma coroa é menor que a de duas coroas, mas considero normal, ganha de um lado e perde de outro como em quase tudo na vida, mas na minha opinião é um custo beneficio muito interessante, eu gasto corrente a mais, mas não tenho custos com manutenção de câmbio e cabo dianteiro por exemplo, sem contar que com o desgaste de duas coroas, eu gasto mais que com uma coroa, então acaba se equilibrando, mas o principal não é a economia financeira, e sim a economia de energia e eficiência de pedalar.

É difícil falar qual o melhor, ou ate mesmo fazer criticas com quem usa essa ou aquela estratégia de coroas, conheço gente forte e consagrada com historia no Mountain Bike que ate hoje usam 3 coroas e ganham títulos.

O mais importante se com uma, duas, ou três coroas é, acertar a pedalada, usar todos os grupos musculares da perna como podemos ver nas imagens abaixo e no caso de uma coroa, acertar o tamanho dela de acordo com as características da prova, e como treinador, já vi de tudo, sugiro que o atleta nunca superestime sua condição física e nunca subestime uma prova, acho que começa por ai a escolha de coroas, e claro, teste antes.

Falando da coroa oval, ela ajuda a pedalada a ficar mais redonda e aproveitar mais os músculos, a fase neutra da pedalada (onde o pé fica pra baixo e não faz força puxando o pedal, apenas aproveita a inércia) não existe, a coroa oval te “obriga” a fazer força puxando também, e esse ganho fica mais visível em atletas menos experientes, considero coroas ovais ótimas para a aprendizagem da pedalada redonda, mas porém, nem tudo são flores, a coroa oval tem um lado mais leve e outro mais pesado, em situações de subidas ela pode prejudicar um pouco.

Falando do gráfico, muitos podem nunca ter percebido, mas o músculo que faz mais força num ciclo de pedaladas é o quadríceps, ele empurra o pedal pra frente em quase 180º e o pedal completa o giro na inércia, e quando o atleta consegue entender que deve usar também a parte posterior da perna, ele tem uma economia de energia no quadríceps e um aumento de eficiência, consegue distribuir melhor a potência na pedalada e ganhar mais velocidade e cadência. Por falar em cadência, coloquei abaixo um gráfico que mostra a eficiência de uma cadência em estudos feitos com atletas do Pro Tour. Vale lembrar que eficiência no ciclismo é andar o mais rápido possível gastando o mínimo de energia possível.

Esse estudo fez uma parábola com inicio em 40 rpm, terminando em 120 rpm e o ponto ótimo da pedalada sendo entre 80 e 85rpm. Esse ponto foi onde conseguiram ver que o atleta gerava potência suficiente para ganhar velocidade sem se desgastar tanto. Abaixo disso é considerado um pedal travado, desperdiçando watts, entrando muito em sistema anaeróbico e gastando mais energia pra andar com uma velocidade um pouco menor. Acima de 85rpm foi considerado, muito estimulo neuro muscular, pouco ganho de velocidade, sem contar que em atletas menos experientes, pode vir a acontecer câimbras por excesso de impulsos nervosos.

Com isso voltamos a pergunta, qual o melhor? 1,2 ou 3 coroas? Acredito que a resposta esta na prática e na adaptação de cada um e não no diz que me diz, é preciso testar e dar tempo pro corpo adaptar pra chegar a uma conclusão, porém o mais importante é ter eficiência na pedalada e distribuir bem os grupos musculares na ação, usando o máximo deles possível.

 

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4 Comments on “Principais músculos e fases do ciclo de pedaladas

João Jorge Klein
12 de fevereiro de 2016 em 22:44

Parabéns pela matéria e parabéns ao Gabriel Salgado pelas explicações.

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Mateus Carvalho Silva Araújo
10 de março de 2016 em 1:36

Legal a matéria, parabéns!! Estou nessa dúvida sobre qual relação usar no Desafio do Rochas. Tenho usado uma ralação 1×10 com coroa 36 e k7 11-36 dentes e gosto muito pela praticidade, menos manutenção, reduz peso, melhora a eficiência por não ter que ficar trocando de marcha na coroa, a corrente não cai!! etc etc etc. Para mim só vejo vantagens, a não ser é claro em escaladas onde é necessário uma relação muito leve. A dúvida é: será possível usar uma relação com coroa 34 e k7 11-36 dentes nos 100 km do Desafio? Ou será que vai faltar marcha leve para vencer as subidas mais íngremes e técnicas?

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twinsadventure
10 de março de 2016 em 13:58

Olá Mateus,
Primeiramente agradecemos seu comentário e seu interesse em nosso evento.
Conversamos com Gabriel sobre sua duvida, primeiro queremos deixar claro que isto é uma questão muito pessoal de cada atleta, mas
para você ter ideia, como a prova sera muito dura, muita subida, quanto mais você andar travado, mais desperdiça energia
e mesmo que veja a FC baixa, a contração muscular fica muito maior, possibilitando caimbras e você pode sofrer muito com essa relação.
Para você ter ideia o Hugo Prado Neto (Campeão 2015) utilizou no ano passado 11-42 com coroa 32 e o Gabriel irá usar neste ano coroa 30 com cassete 9-42.
Seja Bem-Vindo
Família Rocha

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Saulo Roberto fernandes
29 de dezembro de 2016 em 23:13

Adorei a matéria …hj pedalo com duas coroas 36/26…comprei e chegar agora em Janeiro minha nova cannondale fsi carbon 2… com uma Coroa 46/32…haja visto muitos morros aki.

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